A minha primeira Maratona

Calma, calma...eu sei, que vocês sabem, que eu não corri maratona nenhuma, sou capaz de, na melhor das hipóteses, ter feito a mítica marca (42,195 Km, para os mais distraídos), mas de bicicleta...

Tudo começou, quando os meus amigos, Augusto Pires e Paulo Machado se propuseram fazer a "meia". Estive tentado a ir, mas como no ano anterior, já a tinha feito e tive uma experiência traumatizante (um dia destes conto-vos), resolvi que ia só fazer a mini.

Tinha-me proposto, fazer os treinos longos do Correr Lisboa/Adidas, só porque gosto de correr, e porque também gosto de correr de manhã cedo. Num dos primeiros treinos, como estava lesionado, resolvi dar apoio a estes dois amigos de longa data (conheço-os à mais de 30 anos), dessa vez de carro e aproveitando também para tirar umas fotos. Como gostei da experiência e eles também acharam que com apoio ficou mais fácil, a ideia começou a formar-se.

No dia 2 de setembro, veio o Augusto ter connosco, com a afirmação bombástica "Vou Fazer a Maratona, já fiz a alteração da inscrição e agora é só começar a treinar..." eu respondi "só tenho uma palavra para ti "Augustogandamalucoaindabemqueésassim"".

E lá foram eles treinado até ao dia D ou M, ou da República ou 5 de Outubro.

Encontrámo-nos às 7 da manhã, num café perto de casa, quando estávamos a pôr a bicicleta que o  Pedro Valente (que ia fazer a 1ª meia maratona) me emprestou, no suporte no carro, o Augusto, mostrou-nos o telemóvel a dizer, "olhem só o que o pessoal do Correr Lisboa andou a pôr para nós vermos" e vimos os cartazes/telas/tarjas, ao que concluiu ele "já estive a chorar e tudo".

Pequeno almoço tomado, lá fui deixá-los a Cascais, encontrámos alguns Vicentes, entre eles a Céu Nunes, a quem perguntei "Medo?" ao que ela retorquiu "Muito..." e eu a tentar confortá-la disse-lhe "é só os 2/3 primeiros minutos, depois passa tudo, pelo menos para mim que venho desde a Expo de bicicleta, até Belém" "e eles deixam-te passar" "sei lá, invento..." despedi-me dos maratonistas e aspirantes e segui em direção à Expo.

Estacionei, desmontei a bicicleta e comecei a pedalada, passei perto das Metas (umas 5) algumas ainda por montar e tentei ver se havia algum Vicente que me acompanhasse; como não vi ninguém, comecei a pedalar até à estação de Belém, passando por agentes da PSP e da Polícia Municipal, que me facilitaram a passagem e mesmo quando não lhes dirigia a palavra a perguntar se podia passar, eles também não me impediam de o fazer.

Cerca das 9.50 já me encontrava no "meu posto", e ainda não tinha passado por lá ninguém, excetuando as pessoas que vinham nos comboios.

Primeiros a passar, os africanos, que quase me faziam cair com a deslocação de ar que provocavam...depois começaram a passar vários outros corredores, as africanas e depois chega de bicicleta mais um Vicente com um sorriso tímido, era o Marco o marido da Cátia, que também vinha dar apoio.

Agora começa a minha saga, para os nomes dos Vicentes, devia ter trazido a Sandra, que os conhece a todos ou quase, ou então devia ter pedido uma listagem com fotos, para poder ser mais generoso nos incentivos, mas pronto, fica a aprendizagem...

1º a aparecer com a camisola amarela com o Vicente no peito, Pedro Cardoso (o pai da criança) acompanhado por um outro Vicente (começou o drama) cujo nome não sei, e que soube no treino de dia 7, que foi o primeiro classificado do nosso grupo/equipa/família ou outra coisa que queiram chamar, a chegar à meta com pouco mais de 3 horas, vicente esse que não ia com a camisola amarela, e acreditem que facilita muito a vida de quem vai apoiar, os atletas irem com a camisola identificativa. Tentei tirar a foto ao Pedro, mas a máquina não colaborou, "Boa sorte e coragem" acho que foi o que lhe disse, e lá seguiu ele acenando-me e agradecendo; logo a seguir veio a Céu Nunes, quem a identificou foi o Marco, que ia tirando fotos, e gritou-me "Vem lá a Céu", também sem camisola, diria mesmo em "lingerie" como costumam correr as atletas de topo; palavras de incentivo e bolas também não consegui tirar a foto. Depois veio outro Vicente nome?, palmada na mão e filmado (desta vez já com a GOPRO na mão).

Alguns minutos depois, vêm os "meus atletas"

Diz o Augusto, olhando para o relógio

"Está a filmar?, está a filmar? Meia maratona em ......."

Diz o Paulo 

" Tens aí o spray (Picalm)? Preciso dele."

Vou direito à mochila, pego no Picalm, começo a correr rápido em direção ao Paulo, e uma família de 5 ou 6 pessoas, começou a ovacionar-me, pensando que eu estava na prova e a correr a uma velocidade queniana. Dei-lhe o spray, ele colocou e lá voltei para o local onde estavam os meus pertences, debaixo de um coletivo "oooooooooooooooohhhhhhhhhhhhhhhh" por parte da família, e uma cara de alivio, por parte dos atletas que eu tinha ultrapassado na minha correria.

A seguir vieram os Vicentes, Tiago Rodrigues, Sandro Nunes e o David Simão, vinham bem, talvez um bocado menos o David, mas num bom ritmo e confiantes, pelo que demonstravam. A seguir veio a Cátia e com a passagem dela por nós, partimos em direcção a Sta Apolónia.

Perto da dita estação estava a barreira mítica, dos 30 Km, acabara-se o aquecimento, ia começar a corrida, e na dita estação, uma claque estrangeira, acho que francesa, a fazer uma festa com o apoio que davam aos atletas.

Mais uns avanços e recuos, ora para incentivar, ou questionar "se estava tudo bem" ou ainda para "Picalm" (acho que este produto tornou-se mesmo o elixir desta maratona, pelo menos para alguns Vicentes).

Na junção da meia com a maratona, esperei pelos atletas que tinham ido às "compras à baixa" e enquanto isso vi a Sara Silva, gritei-lhe o nome, ela virou-se com um sorriso do tamanho do mundo, acenou-me e seguiu.

Mais umas vicentinas e uns vicentes, entre os quais o meu amigo Pedro Valente, e uma PIPOCA, que teve uma afirmação MAIS agri que DOCE:

"Um Vicente de Bicicleta????"

Não consegui responder, porque ia dar um recado ao Paulo Machado (a mulher tinha-me ligado a dizer que estava já estava na EXPO à espera dele), mas voltei atrás e respondi à Pipoca;

"Este Vicente está de bicicleta, porque está a dar apoio aos maratonistas", ao que ela disse "e então, estão todos bem?", respondi-lhe que sim, excepto uma menina (Cátia), mas que mesmo assim, talvez chegassem todos ao fim".

KM 40/41 subida da PRO RUNNER, aí já com muitos Vicentes, ora a correrem a meia e a maratona, ora a andarem a meia e a maratona, ora a servirem de lebre, que segundo o que ouvi dizer, era a parte mais difícil do percurso.

A partir daí, grande confusão, as grades de metal a caírem, por causa do vento, as ambulâncias a fazerem-se ouvir, o público a atravessar estrada onde passava a corrida, o chão todo sujo, por causa dos abastecimentos, e como prémio de chegarem ali, os camiões da recolha do lixo a "perfumarem" essa zona do percurso...

Perto do Vasco da Gama, ainda vi a Claudia Kadinha , fresquíssima a dizer-me adeus, com um ar que parecia que ainda aguentava, até aos 50 KM...

No fim, da meta quase não vi nada, tirando a Sandra a tirar fotos e uma confusão imensa, e eu com a bicicleta a furar por aquela imensidão de gente feliz; ainda me dirigi para o concerto, mas só lá vi a Sara, aos saltos, ao som da versão dos UHF "Menina estás à janela" com uma energia que parecia que ainda ia começar a correr...

Depois lá encontrei alguns maratonistas, que me agradeceram o apoio, a seguir o almoço com alguns Vicentes e depois casa, banho, sesta e GLORIOSO...

Nota final: Obrigado pelos agradecimentos, mas os heróis não deixam de ser vocês, além disso diverti-me bastante, e quando não puder correr, vou estar ou a ver ou  a apoiar, pois nunca tinha visto uma concentração tão grande de pessoas felizes. E acreditem meus amigos (acho que já vos posso tratar assim), há quem goste de animais, de clubes, de cidades, de correr, etc. mas eu sou-vos sincero, eu gosto é de pessoas, e são as pessoas que me prendem neste projeto; as que gerem, as que guiam, as que correm ou as que apoiam...


MUITO OBRIGADO