I was a man on a mission...

...zzz   ...zzz   ...zzz
7:00 AM
Trimmmmmmmm !!!!!!! 
Não é bem este o som do toque, mas não consigo uma onomatopeia melhor, adiante...
Acordo.
Já tinha todo o material alinhado para a corrida de hoje. Os índices de confiança estavam em alta.
10km, todos eles planos...
Era o que estava à espera para comprovar o que vinha a sentir nas últimas provas. 
Na época passada, começava a ser regular acabar as provas nos 39m.
E no início desta época, mantive a mesma marca. 
Mas... ou as corridas eram mais curtas, mais compridas, tinham subidas e descidas; e eu não baixava dos 39m...
Mas também não voltava à casa dos 40m.
Se eu apanhasse uma corrida plana, só uma, vá lá.... 
Desde Setembro deste ano, que estou inscrito num ginásio com um objectivo; o chamado Reforço Muscular.
Já tinha lido que era importante por várias razões, mas o que me fez realmente avançar para essa opção, foi uma conversa que tive com a Atleta do Sporting Ercília Machado, na última prova da época passada. 
Os 10km da Lagoa de Óbidos. 
Ela contou, que sempre que esteve no ginásio nunca teve uma lesão, e que por uma razão ou outra abandonava o ginásio, lá lhe aparecia uma lesão. 
Ok... Eu não corro ao ritmo dela... e não treino com a carga/intensidade dela... Mas fiquei a pensar... Epah, eu não me quero lesionar... Hummmm... Então lá me inscrevi.
Apesar de estar lá há apenas 2 meses, 2x por semana. Pelas provas que fiz e tempos que alcançava, comecei a ficar com a ideia que estaria mais forte. 
Efeito Placebo ? Seria?
Hoje era o tira teimas. Só 1x tinha conseguido chegar à casa dos 38m. Na corrida BES Challenge Lisboa, com o tempo 38m56s. 
Percurso esse que era muito parecido com o do Montepio. Neste dia, fazia exactamente 1 ano da minha primeira prova, a TSF Runners. Na altura fiz 46m36s. 
Lembro-me de no km8 então, ter tido dor de burro. Coisa que por acaso só voltei a ter uma única vez mais exactamente no corrida do BES Lisboa... Curioso.
Preparados para a batalha, saímos de casa rumo à prova parando num café ainda para tomar o pequeno-almoço. 
Antes de sair de casa, já tinha comido a minha dose de passas com nozes, água e uma banana. 
Fomos a pé, pois a distância para a prova não era por ai além, e é giro passear na nossa cidade sem ter de ser de carro. Além disso, poupávamos o stress de onde o estacionar. 
Lá tomei o costume, Galão, torrada 'dividida, devia ter pouca fome devido ao que já tinha comido' e o bolo que desta vez foi um pastel de nata :D
Tinha alguma pressa em chegar ao ponto de encontro. Queria aquecer e ir o mais cedo possível para a linha de partida. Sem deixar de me encontrar com o pessoal do Correr Lisboa para 2 dedos de conversa e a foto de grupo.

O 11 titular... e ainda faltam alguns na foto
Por esta altura, já decorriam as provas para a petizada. Já na Corrida do Aeroporto, isso também aconteceu. 
Presumo que é hábito nas provas da HMS Sport. E se sim é muito bom sinal. Apesar de serem corridas muitos curtas, o que é natural, é muito importante envolver os miúdos desde cedo em actividades físicas. 
Frizando que o importante é a participação e o divertimento da corrida em prol de quem chega primeiro. 
Voltando ao mundo dos grandes...
A prova segundo a organização, tinha esgotado. Eram 10000 pessoas! Com tanta gente e sem blocos de tempos; tinha mesmo receio de ficar no meio da confusão e perder tempo no arranque. 
Tempo que teria de recuperar, cansando-me mais e pondo em risco o objectivo de quebrar o meu recorde. 
A HMS Sport, da minha experiência, costuma organizar muito bem as suas provas. 
Não percebi porque é que numa prova com tanta gente não fez a divisão. 
Esta falta de divisões, acabou por criar o único stress que presenciei e passei em toda a prova, única coisa a apontar. 
Faltavam uns 40 minutos para o início da prova. Fomos aquecer uns quantos. 
Demos uma volta ao Rossio, seguimos pela Rua Áurea e voltámos ao ponto de entrada para a prova.
Só havia dois pontos de entrada para o garrafão de acesso à partida. Os acessos eram bem cá atrás.
O problema é que o tempo passava e os seguranças não deixavam (por ordem da organização) entrar. 
E o tempo passava...
Quando faltavam uns 15 minutos, dizem que tínhamos de recuar do local onde estávamos.
Ora isso foi coisa +/- impossível, pois já um batalhão de gente estava atrás de nós, também prontos para entrar.
Um responsável da HMS Sport disse aos seguranças que só podiam deixar entrar uma pessoa de cada vez verificando se tinham o dorsal respectivo.
Isto tudo seria normal se faltassem uns 30m... mas faltavam 7m.
É claro que quando deram o sinal de entrada, foi como se tivessem aberto as comportas de emergência da Barragem... e não eram do Alqueva... mas de Cahora Bassa. 
Houve apertões, gente a saltar as vedações, vedações a cair...
Um pandemónio ao qual tentei fugir com um sprint estilo Usain Bolt para a posição de partida.
Não sei o porquê de tal atraso. Acredito que tenha havido alguma razão, mas ter deixado milhares de pessoas ali à espera para entrar até à última da hora, deu no que deu.
Lá nos colocámos todos na linha de partida sem stress nenhum ali entre o pessoal e lá esperámos o pouco tempo que faltava.
Nota para o speaker. Normalmente não ligo muito a este pormenor. Talvez porque das vezes que reparei, os comentários eram assim um pouco de encher chouriços.
Sem interesse. Este pareceu-me bastante bem tanto no início como no fim da prova.
Últimos pensamentos antes da prova...
Ok, estou-me a sentir porreiro, e a ver se me pisgo daqui rápido de modo a não ser atropelado.
Contagem decrescente....

E arranquei como se não houvesse amanhã.
À minha frente, os Atletas de Elite e muita malta forte. 
Esses então não corriam, voavam, como se a sua vida dependesse disso.
Impressionante como em tão curta distância eles arrancam que nem flechas. Segui-os ainda em parte durante a Rua Áurea. E aqui aconteceu um dos momentos grandes da corrida. Menos para os Almeidas da CML. Ao passarmos, sem termos dado conta visualmente, estavam uns canhões de confetis. Ouve-se umas quantas explosões e de repente todo o céu é invadido de centenas de milhares de papeis laranjas e brancos. Por momentos, senti-me o Presidente dos Estados Unidos quando (antigamente) andavam nos descapotáveis a acenar às pessoas com montes de papelinhos a voar...


Nesta foto não parecem tantos papeis, mas acreditem que quando passei eram tantos que por um segundo ou dois, não vi nada à minha frente e tive de fechar a boca ou comeria uns quantos.
Neste meu arranque errr... à Jamaicano 'estou a trair os meus manos do Quénia' surgiu-me o Miguel Heitor com um comentário muito engraçado. Não me recordo exactamente o que ele disse, mas foi algo do género... 

Epah estás cheio de pica, vais que nem um louco !

Eh eh eh... 
Não podia largar o balanço do pessoal de Elite. 
Normalmente tento arrancar bem mais forte do que é o meu ritmo normal, tentando ganhar uns segundos valentes para o fim da prova, caso comece a fraquejar. Na Rua do Arsenal, reparo que existe bastante gente a bater palmas a todos os que passavam. E quase todos tinham uma coisa em comum...
Eram turistas estrangeiros.
Lá seguimos para a 24 de Julho.
Muitas vezes aos sábados, por volta da hora do almoço, passamos por ai. E na zona do antigo Gringos, costuma estar uma série de malta a sair da noite.
Antes ainda, passámos pelo Jardim do Largo de Santos. E já alguns transeuntes da noite se metiam com o pessoal. 
Cheguei-me um pouco para o lado com algum receio que voasse um copo ou que algum deles se metesse no meio do pessoal. 
Algo que repeti mais à frente, ao passar junto aos bares/discos. 
Felizmente foi só receio meu e nada de especial se passou.
A candência da minha corrida estava bastante forte, para o que costumo fazer. Há já um bom bocado que andava a flutuar entre os 3:40~3:50/km. Sabia que teria de ir sempre abaixo dos 3:54 de modo a ter sucesso. 

O primeiro abastecimento foi pouco antes do Viaduto da Avenida Infante Santo. 
Como é costume, bastante gente a dar águas de modo a não haver choques. 
Logo a seguir, chamei a atenção a um colega de prova para ter cuidado como lançou a garrafa. 
Temos de nos lembrar que atrás de nós há quem corra, e convêm não deixar garrafas no meio da estrada; ou pior levar com uma em cheio. 
Lá seguimos. 
Antes de eu chegar ao ponto de retorno, vi 3 amigos já a voltar. 
Vitor Oliveira, Nuno André e o Pedro Mota. 
Vai Vitor !, Vai Nuno !, Vai Pedro !. 
E ao fazer o retorno, comecei eu a ouvir... 
Força Vasco, Vai Queniano, Vai Vicente etc.. 
Normalmente respondo de volta, ou até berro primeiro. Mas era tanta gente a dar-me apoio que pensei, se for responder de volta a todos vou-me perder. Desculpem-me todos não ter respondido de volta verbalmente, fazendo apenas um sinal de fixe com a mão. Estava-me a sentir bem, e precisava de estar focado em manter o ritmo. 

Aqui ainda deu para fazer outro fixe ao Marcelino
Ao início achei estranho pois ele é mais forte que eu.
Por volta da zona de Alcântara consegui descolar do Pedro e ainda o tentei puxar.
Ainda lhe disse Anda que ainda vais ser tu a puxar por mim mais logo !
Longe de estar sem cansaço, não estava a acreditar bem no que via.
Continuava a manter a cadência na corrida e sentia-me bem.
Comecei mesmo a acreditar que o recorde ia ser batido.
Já a poucas centenas de metros do Cais do Sodré, dou de repente com o Nuno André à minha frente por uns 2 metros.
Ai é que me caiu quase tudo.... 

Eu apanhei o André ??? Não pode ???

Disse Força Andre ao qual respondeu com um fixe.
Mas foi sol de pouquíssima dura.
Aos poucos e poucos ele começava-se a afastar.
Fiquei na dúvida se era eu que abrandei ou ele que acelerou.
No fim falámos disso e chegámos a ideia que devo ter sido eu que desacelerei.
Ao chegar perto da nova Rua Cais das Naus, fui apanhado de novo pelo Pedro.
Lá seguimos juntos, mas ai lembro-me que me esforcei para seguir o seu encalço.
Ao entrarmos na Praça do Comercio perguntei se ele queria atacar.
Tinha o feeling que ia fazer uma marca histórica.
Ele disse para eu seguir e lá me afastei de novo dele.
Na curva final, estava um carro com o tempo; dizia algo do género 37m45s...
Pensei, tu queres ver que vou fazer ainda nos 37 ???????????
Se a meta fosse logo ali na curva ia dar.
Tentei acelerar apesar de estar pouco crente na possibilidade.
Nisto ao fazer a última curva...

Passa por mim o Pedro 'a ir de' Mota num sprint brutal.
Força Pedro !!
Nem sei se ele ouviu com a velocidade que ia.
E então, a entrada na Praça do Comercio.
A meu ver, uma parte final espetacular.


Terminei a prova com o tempo de 38m06s.

Fui para a prova com o objectivo de baixar dos 38m56s e por pouco que ainda acabava nos 37m.
69º Lugar da Geral
15º Lugar do Escalão
No fim da prova ofereceram um saco com 2 garrafas de água, uma Maça de Alcobaça, panfleto do Clube da Maçã de Alcobaça e uma 'touca 'não sei se é bem o nome disto' que se enfia pela cabeça. Pode ficar a aquecer o pescoço ou tapar parte da cabeça.
Retirei 50s ao meu tempo, foi muito para lá do que imaginei.
Não é hábito bater recordes por uma margem tão larga.
Vamos lá ver se um dia voltarei a fazer uma destas e ainda aterrar nos 37m.
Sem stress para lá chegar... se chegar.
Mais uma prova da HMS Sport muito bem organizada.
Tirando o stress das entradas, foi tudo 5 *****.
Bengaleiro, wc's, várias pessoas na distribuição dos dorsais.
Notas Finais : (1 a 5)
Kit Atleta incluía (3) : 

  • T-shirt (a do ano passado apesar de preta, era bem mais gira)
  • Revista Montepio Jovem
  • Pequena lanterna de mão com pilha
  • Pub. a outra prova
  • Chip
  • Dorsal
Percurso (4.5) - Início com os confetis e a chegada à meta foram brutais. 
Organização (4) - A confusão da entrada impediu o 5.
Preço (5)
É para repetir ?
Rufo Maestro...
Tchanrannnn...
Sem dúvida !
Partindo lá da frente, é a prova para se bater tempos.
Gráficos micoach - Reparem como a linha do ritmo quase é uma linha recta.