Este post correu o risco de ser o mais curto da (curta) história do Xico Da Boina.

Podia ser:

Fui ao Porto corri 42 km no asfalto e regressei a casa.

Mas não, não mesmo!!!

Sinceramente não queria que assim fosse, pelas razões que já expliquei no post anterior. Uma prova desta dimensão e com toda a história evolvente merecia mais do que estava disposto a dar.

Devido ao post anterior, na véspera e ante véspera da prova recebi mensagens, telefonemas de ânimo e alento. Não é que aqueles amigos (os de infância, juventude) me ligaram a horas impróprias? A sorte é que já os conheço há muito tempo e depois de termos falado por volta da meia noite desliguei o telemóvel não fossem eles pregar uma partida.

Quando acordei às 6:15 recebi um sms a indicar que tinha uma nova mensagem de voz... Ainda pensei ligar mal acordei, mas corria o risco de estarem acordados e não tinha muito tempo para conversas. Ouvi... e aquilo é de rebolar a rir. Enquanto ouvia, imaginei uma mesa redonda com copos, garrafas de jeropiga e castanhas assadas e o telemóvel a rodar de mão em mão e cada um disse o que quis e conseguiu!

Sim, estou a dizer que estavam borrachos. Ai não gostam? Quem manda ligarem às pessoas a essa horas!?

O que é certo é que funcionou como um grande estímulo e nos momentos mais difíceis lembrei me de todas as mensagens de incentivo!

Obrigado por me apoiarem e não criticarem nem menosprezarem este meu hobby.



07:30 da manhã parte da comitiva Correr Lisboa sai do hotel em direcção ao pavilhão Rosa Mota, ponto de encontro dos Vicentes. Por lá estivemos em grande cavaqueira com outros amigos corredores, sempre num ambiente tranquilo sem tensões.

Embora sem querer demonstrar, a Inês parecia estar um pouco preocupada comigo e com o que podia acontecer.

Eu nem pestanejava: Calma, vai correr tudo bem. Já fiz mais kms e já corri durante 10h seguidas.

Mas nunca fizeste a maratona, é diferente, vai devagar e tem cuidado.

Eu estava super tranquilo.

Entrámos pela porta B que era utilizada para os atletas que pretendiam fazer a prova entre as 3:15 e 3:45. Lá estavam os Vicentes Bruno, Pedro, Tiago, Heitor, David e eu. Éramos apenas 6 dos 32 bravos atletas que se propuseram a correr pelas ruas da cidade invicta. Cumprimentámo-nos desejando sorte a todos.

Não somos adversários, somos companheiros de corrida, de equipa, partilhamos o mesmo gosto que é correr.


Caiu-me a ficha quando olhei na direcção dos insufláveis e vi que o inicio da prova tinha uma subida a perder de vista e disse vou dar o estoiro.

O Tigas (Tiago) sorriu do género, Xico eu bem tenho dito que isto não é trail, tem calma contigo.

Senti medo e respeito pela prova, algo que já não sentia há muito tempo.

Isto, não por me achar super atleta, mas por encarar todas as provas que tenho feito como se de um treino se tratasse.

Todas as épocas desportivas tenho um grande objectivo, uma meta a cruzar. Todas as outras que a antecedam são apenas preparação para a tal. É assim que encaro e por isso ando sempre tão tranquilo nas vésperas dos tais desafios.

Tenho que admitir que desta vez errei por não ter dado grande importância à Maratona. Fiz uma excelente prova eu sei, senti um enorme orgulho e satisfação quando cruzei a Meta.

Mas...

Devia ter-me preparado melhor, ter lido mais relatos de corredores de elite e de pelotão, devia ter procurado motivação para me provocar adrenalina, ou seja, devia ter namorado mais a Maratona.

Este namoro até podia resultar num pior tempo final, mas ainda assim, ficaria de consciência tranquila que tinha feito tudo o que estava ao meu alcance para fazer da XI Maratona do Porto, a minha Maratona.

Voltamos à historia do OMD 2014, em que a mochila de hidratação não funcionou e fiquei com isso atravessado.

Agora já tenho duas espinhas atravessadas na garganta que tenho que resolver já em 2015.

Voltei ao asfalto pela porta grande e adorei!!!