Olá a todos ;)


Normalmente quando vos escrevo aqui, falo basicamente sobre a corrida em si, por vezes com alguns pormenores do antes e depois, mas no fundo é sobre a corrida mesmo que vos escrevo.

Nesta crónica, talvez escreva mais sobre o antes do que o durante. Felizmente não sou um pessoa supersticiosa. Sabem quando parece que os planetas alinham e tudo acontece ? Até parecia que o destino me dizia "Não vás... não faças a corrida...

Tenho o hábito de me inscrever com grande antecedência nas provas, e depois e inscrito começo a ver como vou para lá.

Carro, Autocarro ou Comboio. Como costumo ir na maioria das vezes sozinho dou preferência ao Comboio, vou mais à vontade e como apanhadinho de comboios, apenas escolho o Autocarro se for mesmo muito mais barato ou se não houver ligação ferroviária.

Até hoje só tinha feito 2 Meias a Sul de Lisboa (Setúbal e Évora), todas as outras foram ou em Lisboa ou a Norte da mesma.

Após a inscrição, comparo preços e horários e compro o bilhete de Comboio.

Sábado antes da prova, estou em casa, faço as contas ao tempo que levo daqui à Estação. Feito isso saio com antecedência e ponho-me  a caminho.

Chego 10 minutos antes, olho para o bilhete para ver em que linha ia partir o Comboio e leio...

"Lisboa-Oriente"

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Eu estava em Santa Apolónia.

Bom... depois de me chamar idiota, fui à bilheteira ver se conseguia tratar da troca do bilhete.

Dava para trocar mas perdia o desconto que tinha tido na compra antecipada. Pimba mais 8 euros e tal...

Paguei e segui para o Oriente.

Deveria ter saído às 14 horas de Lisboa e o próximo comboio saía só às 17:30h.

Enviei um email à guesthouse onde ia ficar, a dizer que ia chegar mais tarde.

Chegado ao Oriente fui para o C.C. Vasco da Gama passear para ver se o tempo passava mais depressa.

Estava cheio de gente já em compras de Natal. Passei ainda no supermercado para comprar algo para comer, tinha pensado ir a um café vegan em Tavira lanchar mas o plano saiu furado.

O tempo parecia que não passava...

Passado o tempo de espera e passadas algumas bolachas lá entro no comboio e sigo para Faro.

Ia num intercidades que ia parar em algumas estações, o tempo de viagem seria 3 horas e 30.

Ao fim de algumas paragens, paramos no Pinhal Novo. Mas esta paragem estava a demorar um pouco mais que o costume.

Sei que o alfa pendular tem prioridade sobre qualquer outro comboio, se o alfa estiver em risco de se atrasar, os restantes comboios têm de parar numa estação/apeadeiro de modo ao alfa os ultrapassar.

Ao fim de 10 minutos de espera (tempo não inventado, reparei que foram mesmo 10 minutos) ouve-se nos altifalantes.

"Boa noite, pedimos desculpa mas o comboio está com problemas técnicos." Lá se foi o álibi do alfa...

Começou um pequeno alvoroço, ninguém sabia se era para sair ou ficar no comboio.

Passaram-se mais uns minutos, e um casal que tinha saído do comboio disse "Dizem lá fora que temos de sair pois o comboio avariou, temos de ir para a linha 1 e apanhar o alfa."

Mas porque raio eu me enganei na estação?

Saímos todos e fomos para a linha 1... Mais 20 min. de espera.

Chega o alfa e entramos, pensei, "Onde vai caber esta gente toda?"

Eu acabei por ter sorte e mal entrei vi 2 lugares, mas muita gente andou para a frente e para trás à procura de lugar, mas creio que houve lugar para todos.

Enviei mais um email a dizer que tinha havido outro atraso e pedi o número de telefone para ligar, seria mais fácil.

Responderam apenas que quando chegasse que avisasse...

Chegado a Faro, tinha de mudar de linha para apanhar o regional no sentido de Vila Real de Santo António.

O meu bilhete desse comboio já tinha expirado, pois era para o ter apanhado pelas 17:40h.

Falei na bilheteira, eles disseram que não havia problema pois tinha sido falha da CP mas que mesmo assim carimbavam lá no bilhete essa nota.

Apanho o comboio e faço a viagem que demorou há volta de uns 20 min..

Cheguei a Tavira pelas 23:30h +/-. O dorsal devia ter sido levantado até às 23 horas, mas eu tinha lido nos regulamentos que também podia ser levantado no dia da prova das 8 às 9:30. Ok sem stress.

Segui a pé até à morada da guesthouse, era um zona de vivendas. Pela porta via-se uma luz acesa e no piso de cima também havia uma sala com luz.

Toquei à campainha.... nada. Esperei um pouco e enviei um outro email a dizer que estava à porta. Já tinha pouquíssima bateria, e tinha os dados ligados à espera de uma resposta. Toco de novo e nada.

Esperei 20 min. nem email nem resposta da casa, era meia-noite e pensei "A esta hora já devia estar a dormir há umas 2 horas pelo menos, mas porque raio me enganei...".

Decidi ir embora, a bateria quase a morrer e não podia ficar ali mais tempo há espera, nem sabia se me iam responder.

Sigo para o centro de Tavira, vou olhando à procura de um hotel/pensão algo do género. Passado uns 10min. encontro... estavam cheios.

Chegado ao centro, vejo já malta a montar as cercas e cartazes da corrida, reparo que do outro lado há um hotel grande.

Passo uma das pontes e entro no hotel. Felizmente havia vagas. Mas em vez de 25 que iria pagar na guesthouse, aqui foram 41...

RAIOS ME PARTAM !!!! 

Neste preciso momento começou a cair uma carga de água, e eu tinha colocado na varanda a frigideira com a mistura de croquetes que estive a fazer há pouco para arrefecer mais depressa. Agora apanharam com água.............................

Arrrrggghhhhhhhhhh.... Tavira dá-me azar.

Bom... Domingo de manhã.

Levantei-me mais cedo para ir levantar o dorsal, caminhei +/- 1.5km e chegado ao Pavilhão, andei, andei e nada.

Dei uma volta ao pavilhão e estava tudo fechado. Havia alguns cartazes a falar da corrida, mas nem porta aberta nem ninguém.

Só me apetecia berrar, tinha encontrado antes de chegar ao pavilhão, um corredor com um envelope na mão e até lhe perguntei onde era o pavilhão para levantar. Por isso ainda mais estranho achei estar tudo fechado, e eu tinha chegado bem a horas.

Fui para o hotel, equipei-me e fui para a corrida.

Lá consegui levantar o dorsal e pouco tempo depois encontrei o Tiago Rodrigues. O Tiago Cordeiro e a Alexandra Centeno estariam quase a chegar. Quem acabou por chegar foi o Delfim Machado, um Vicente recente.

Faltava pouco para a prova e decidi ir aquecer.

Sabia que parte do percurso era em empedrado, tinha chovido durante a noite e estava com algum receio da possibilidade de escorregar. Até hoje sola Continental nunca me deixou mal. Andei lá numa rua toda em empedrado a aquecer e a testar se escorregava, pareceu-me tudo ok.

Reparámos que havia umas divisões para a partida.

Não me recordo agora exactamente os números mas era algo do género.

Caixa 1 - 1 ao 100 / Caixa 2 - 101 ao 200 / Caixa 3 - 201 ao 300.

Eu não me recordava nada de ter dado tempos para sair mais à frente ou mais atrás, e apercebemos-nos que era a ordem da inscrição. Eu era o 002 e lembro-me que me inscrevi no primeiro dia. Mais para trás saíam as pessoas da caminhada.


Lá nos despedimos uns dos outros e fomos para as caixas de saída.

Estando na 1º caixa foi fácil ficar mesmo na linha da frente, ao meu lado estava o Hermano Ferreira. Correu durante uns tempos no Sporting e agora fazia a sua primeira prova pelo Benfica.

Brinquei com ele a dizer que hoje era eu o atleta de Elite, pois eu era o 002 e ele o 173.


A partida deu-se às 10:00h, o início era também em empedrado, apesar de ter arrancado forte, ia ao mesmo tempo vendo como se comportava o piso. Felizmente mais uma vez correu tudo ok.


A primeira parte da prova seguia junto ao Rio Gilão apontado ao cais das "4 águas", aí fazia-se o retorno.

Por volta desta altura (3km) começo a reparar que junto a mim tenho um atleta já com alguma idade, a seguir no meu ritmo...

Não só a seguir o meu ritmo como a seguir-me literalmente... e a seguir muito perto mesmo.

Não poucas vezes dei-lhe sem querer, cotoveladas pois ele seguia quase colado ao meu lado esquerdo um nadinha atrás.


E assim fomos... Os primeiros 7km foram feitos dentro da cidade de Tavira.

De tempos a tempos encontrámos alguns populares a seguirem a prova, e num café estava alguém a tocar música para animar os atletas. 

Estes 7km acabavam numa descida que passava mesmo ao lado da linha de partida, grande parte desta descida era outra vez em paralelepípedo. Aqui encontrei alguns apoiantes/familiares da Família Vicentina ;)

A partir daqui saíamos da cidade e entrávamos numa rua que nos levava à EM 514-2.

Foram uns +/- 10km de estrada em que pouco ou nada se passava. Era uma zona campestre, com alguns campos de cultivo, com uma casa ou outra de tempos a tempos.

Enquanto corríamos dentro de Tavira, as estradas estavam cortadas para os atletas correrem à vontade, mas nesta Estrada Municipal houve por 3 vezes, carros que passaram por nós. Nunca estive em perigo, mas não esperava carros surgirem nas nossas costas e passarem ao nosso lado.

O tempo que se tinha aguentado até então, deixou começar a escapar alguma chuva.

Neste momento seguia comigo o tal homem e um outro espanhol de Huelva à nossa frente. Aos poucos e poucos fomos-nos aproximando dele.

Foi por esta altura, que a "minha sombra" passa para a minha frente, mas não para fugir. Deve ter pensado "Epah este gajo foi a minha lebre até agora, se calhar eu puxava agora um pouco também."

Se calhar não pensou nisto, mas a verdade é que ele passou para a frente e de tempos a tempos fomos trocando, uma vez um, outra vez o outro, sem nunca parecer como se fosse picanço e assim passámos pelo rapaz de Huelva.


Seguimos assim até +/- ao km13, por esta altura das duas uma, ou ele acelerou ou eu abrandei, e aos poucos ele começou a fugir.

Só aí é que reparei que ele era também espanhol, tinha a t-shirt virada do avesso. E dizia uma sigla de um clube de Sevillha e o logótipo era um coelho.

Durante quase todo este tempo ele foi com uma respiração ultra forte, parecia que ia dar-lhe uma coisa a qualquer altura :|.

Olhei para o relógio e estava com um ritmo médio de 4:06. Sabia que não ia bater recorde mas estava com um ritmo muito bom e presumi que ia fazer o melhor tempo de há largos meses.

Do meu histórico, sempre corri melhor em dias frios e com chuva, e este não fugia a essa ideia.

Por volta do km 16.5 entramos em Tavira de novo, mas do outro lado do rio. Voltámos de tempos a tempos a encontrar alguns populares a apoiar os atletas, pouco depois voltávamos para o outro lado do rio... não antes de passar  "A Ponte".

Esta ponte, para quem já vem com alguns km nas pernas parecia uma pequena montanha.

Passada a ponte dava-se um pequeno giro e entrava-se na recta final, pouco antes tinha visto o relógio e tinha ficado com a certeza que iria ter um bom tempo, mas ao entrar na recta final, passado um pouco, vejo a carrinha que levava o cronometro estacionada, mas com o relógio ainda a contar.

Para minha surpresa marcava 1:25:20 e tal...

1:25 ????? O meu recorde estava e continua nos 1:25:54. Fui buscar forças algures e acelerei o mais que podia na altura até à meta.

Acabei por finalizar com o tempo de 1:25:59, o tal espanhol ficou 7s à minha frente, Veterano 4.... Muito bom.

Não fiquei chateado por não ter batido o meu tempo mas fiquei com pena. Não me tinha apercebido que estive tão perto.

Achei estranho na altura pois o ritmo do meu recorde é 4:04 e acabei com ritmo de 4:08 daí saber que nunca iria bater recorde nenhum. Depois é que percebi que o relógio marcou 20km730m e não 21.1.

Falei depois com o Tiago Rodrigues e o relógio dele também marcou menos que os 21.1 que seria normal.

O que fiquei mesmo decepcionado foi com a medalha da prova. Era daquelas medalhas tipo pequeninas que se compra em qualquer loja de medalhas. Com um boneco a correr e por trás um autocolante a dizer 2ª Meia Maratona de Tavira.

Isso é que foi de lamentar, gosto de guardar as medalhas como recordação e aquela foi a pior que recebi de todas as corridas que fiz.

Ao passar a meta recebi um certificado de participação da prova, certificado que ficou todo molhado devido à chuva que decidiu aparecer de novo, e um saco com água, fruta e a t-shirt da prova.

Até à próxima ;)