Olá a todos ;)


Sábado passado peguei no passaporte, meti-me no comboio e fui para o Algarve.

Passaporte ?

Sim... Lembram-se da história "Rei de Portugal e dos Algarves" ? ;)

Eu sei do que falo, a minha Mãe é Algarvia e de Faro :D

Curiosidade, o Reino do Algarve existiu mesmo até à Implantação da República.


A prova começava às 18:27... Sim esse mesmo horário. Não cheguei a perguntar o porquê mas presumo que fosse a hora a que o Sol se iria pôr naquele dia.

Não iria ter muito tempo, saí de Lisboa pelas dez e pouco e levei umas 3h e meia de viagem.

Almocei, larguei as coisas no alojamento e fui buscar o dorsal.

O dorsal levantava-se no Jardim Manuel Bívar, para quem não sabe, se já estiveram na Marina Faro é o jardim que fica mesmo em frente.

Dirigi-me ao Secretariado, apresentei o comprovativo da inscrição e lá recebi o meu kit.

A chegada era no Jardim, mas a partida era na Praia de Faro. Tinha lido no regulamento que iria haver autocarros para levar as pessoas para a partida. Confirmei as horas e onde se apanhava o autocarro e lá voltei para o meu alojamento.

Ao chegar abri o kit para colocar o dorsal na t-shirt.

Dentro do kit vinha.

- Dorsal

- T-Shirt da Prova

- Uma barra proteica.

- Um voucher de descontos numa loja de suplementos

- Um porta chaves (Daqueles de fita)


Esta prova teve um preço promocional de 28 de Janeiro a 6 de Fevereiro, não de 10, não de 8, mas de 5euros!

Depois, até dia 27 de Fevereiro a prova ficava a 7. Caso ainda sobrassem dorsais, podia-se comprar no dia da prova a 15.

Na verdade esta crónica devia ter sido escrita pelo Francisco Sardinha.

E perguntam os leitores "Porquê o Sardinhaaaa ?? Hummm ?"

Não ouvi...

Ahhh... agora sim.

Por causa disto...

Quem já anda no Correr Lisboa há já algumas luas, sabe que se há alguém que já correu umas 50 vezes de 69 é o Sardinha.
Bom, lá fiquei no quarto a ver televisão e a descansar fazendo tempo até sair para a prova.
Perto das 17h equipei-me e lá saí. Enquanto ia caminhando para o jardim, dou conta que me esqueci do meu frontal em Lisboa.
Corrida nocturna... hummm... Espero que esteja tudo bem iluminado.
Ao chegar ao Jardim, lá vejo 3 autocarros. Perguntei se eram os da prova, eles confirmaram e entrei.
E ri-se o leitor "Ah ah ah... atão não se via logo que eram os autocarros da prova pah ?"
Pois, mas eu já tive com cada azar em provas que o melhor é sempre perguntar ;)
Entrei e pouco depois o autocarro segue para a Ilha de Faro.
Quando estávamos quase a chegar o autocarro para antes da ponte que dá acesso à Ilha, saímos e fizemos a ponte a pé.
Ao sair do autocarro reparei que estava bastante vento. Por cima do equipamento, tinha vestido ainda um corta vento e mais uma sweat.
Ao atravessar a ponte vejo à minha esquerda uma série de caixas azuis da organização e pelo que percebi deveria ser o bengaleiro.
Faltava ainda uma hora para a arranque da prova e o bengaleiro fechava às 18h. Decidi só entregar a roupa mesmo à última da hora pois sem a roupa extra ficaria em menos de 1 minutos gelado.

Junto ao bengaleiro, estavam uma série de atletas, uns na galhofa, outros a fazer um ligeiro aquecimento e outros à conversa com a Rosa Mota que era a Madrinha da Prova.
No meio desta malta toda vejo uma cara que me era de alguma maneira familiar.
Fui ter com ele e meti conversa. Fiquei a conhecer o Carlos Caetano (à esquerda na foto).

Conversamos ali um pouco e em seguida fomos dar uma corridinha para aquecer .
Durante quase uma hora estivemos ali a falar de métodos de treino para Maratonas, alguns ténis que usamos ou já usámos.
Mas o que gostei mais foi das suas experiências em Maratonas, se não estou em erro, só lhe falta a de Tóquio para fazer as Top 6.
Londres/Berlim/Nova Iorque/Chicago/Boston e lá está, Tóquio. 
Adorei a história que na Maratona de Boston levam os atletas para a zona da partida, mas lá há uma "Zona do Corredor".
Com direito a alguma comida e bebida, relvado para descansar etc.. Um luxo :)
E atenção, ele corre, mas corre. É dos poucos que conheço que tem tempo de Maratona abaixo das 3h.
De volta à base lá nos colocamos na zona da partida.
A partida não tinha nenhum pórtico ou tapete para controlar o chip. Apenas uma fita que pouco antes da partida iria ser arrancada.
É verdade, já me esquecia. Esta prova para além da Meia Maratona, tinha também uma prova de 10.5km.
A partida era feita em conjunto tudo ao molho.
Não dei conta de alguma confusão na partida, mas eu sou apologista que, havendo provas distintas e que a partida seja do mesmo local, deveria ser feito o arranque das provas em horas diferentes.
Minutos antes da partida, havia ainda pelo menos uma atleta que vinha a correr pela ponte em direcção à partida.
Ou seja para ficar bem claro, ela não vinha lá de trás de modo a se chegar ao grupo.
Ela estava à nossa frente onde a prova ia decorrer, por momentos pensei que a prova ia começar e ela em contra-mão teria de dar meia volta. 
Pelas 18:27 dá-se o tiro de partida e lá arrancamos.
Estava um vento tão forte de lado que por momentos pensei que o meu boné ia levantar voo.
Inclinava a cabeça para baixo de modo a que a pala apanhasse com o vento e assim se aguentar na cabeça.
O início era uma longa recta que terminava muito perto da pista do Aeroporto, aí começávamos a contornar uma das pontas da pista, zona bastante arborizada boa de se correr.
Ao chegar ao Vale das Almas virávamos à esquerda apontados à Universidade do Algarve.
Desde o início que o percurso era asfaltado, mas passado uns 700m após o Vale das Almas, entrámos numa rua em que o piso era de terra batida.
Mas foi sem grande stress, o piso não era completamente plano e apesar de haver alguns buracos com água, ainda havia luz suficiente para os ver atempadamente e poder corrigir a trajectória.
Isto decorreu durante 1km e pouco, ao chegar à Universidade voltávamos também ao asfalto.
Ao chegar à Universidade estava o 1º ponto de abastecimento, e algo aconteceu que eu não estava preparado.
O abastecimento era a copo... Quem me lê aqui, já sabe que quando os abastecimentos são a copo (regra geral provas no estrangeiro) levo sempre 2 palhinhas, ora como não sabia lixei-me :|
No primeiro copo que agarro, mais de metade da água foi para a t-shirt.
O abastecimento estava um pouco antes da placa dos 5km, e por falar em placa de km, foi a 1ª que vi... 
Chegados aqui virávamos à direita passando perto do Hospital de Gambelas.
Fomos sempre em frente passando por uma zona com várias vivendas. Por esta altura já era praticamente de noite. 
Ia olhando à volta à procura das placas dos km e nada, tive me consultar o relógio algumas vezes para saber a quantas estava.
Por norma tomo um gel ao km7 e outro ao km14.
Passadas a vivendas de Montenegro, entramos no IC4 mesmo ao lado do Fórum Algarve, já apontados a Faro.
Aqui estava o 2º abastecimento com água e bebida energética.
No IC4 a via da direita estava "vedada" com uns pinos de modo a termos uma zona só para nós, isto porque na via à direita havia trânsito.
Não sei se foi só pela supressão de uma via, mas havia um longa fila de pára-arranca e isso sentia-se bastante na respiração.
Logo em seguida contornámos o Teatro das Figuras pela lado interior, ou seja, fugindo ao IC4.
Neste momento, encontro um atleta com quem tinha falado antes do aquecimento, ele estava a correr para os 10.5km, e ele disse...

"Vou desistir."
"Mas agora ? Estás mesmo perto da meta, não ias para os 10.5km ?"

Desejei-lhe força e lá segui. Daqui fomos apontados para o Jardim Manuel Bívar onde estava a Meta.
Desde que entrei em Faro, reparei que ao contrário do que é normal, havia vários pequenos grupos de pessoas na rua a ver a prova... algumas nas janelas... e que batiam palmas... e que desejavam força... 
Fiquei bastante contente com esta mostra de apoio. É tão raro isto acontecer, que mesmo sendo alguns pequenos grupos, soube muito bem. Se algum de vós está a ler esta crónica, o meu muito obrigado :)
Estava quase a chegar ao Jardim, quando ao descer a Rua de S. Pedro, rua em que só havia espaço para passar um carro, vou lançado na descida e reparo que à minha frente há uma bifurcação.

E não havia indicação para que lado era.
Há já alguns km que o atleta que ia à minha frente estava bem afastado, e deu para ver onde ele tinha virado.
Pensei, a estrada vai para a direita e assim segui.
Mal faço a curva oiço a voz de um rapaz que estava numa bicicleta a berrar "É por aqui !"
Dou uma guinadela de 180º que nem o filme Tron e volto ao caminho certo.
Fiquei pior que estragado... Já não tinha sido a primeira vez nesta prova que tive dúvidas onde era o caminho.
Ao ter guinado, também um músculo do glúteo esquerdo guinou e durante uns 10/15min deu-me algumas dores. 
Chegado ao Jardim reparei que aqui então estava bastante gente e a fazer bastante barulho.
Continuava era sem ver placas de km :|
Seguimos então pela parte velha da cidade.
Neste momento já corria sozinho há um bom bocado, e foi algo que durou uns 30 minutos pelo menos.
Passei ao lado da Sé de Faro e segui em frente, sempre junto à Linha do Algarve sentido Faro -> Tavira.
Esta foi a parte mais chata da prova, estava a correr sozinho, numa zona onde não se passava nada. Quando digo nada é mesmo nada. Acho que podia ter berrado que nem um louco que ninguém ia dar conta de nada.
Pelo km12, a avenida onde estava a correr começa a ligar a um viaduto. Ao subir o viaduto sempre contornando à esquerda, reparo em mais um Juiz da A.A.A. (Associação de Atletismo do Algarve).
Com o seu clipboard a escrever o número do meu dorsal. Em Tavira já tinha sido assim, à moda antiga.
Aqui segui sempre em frente em direcção à Estrada do Cais.
Esta era uma estrada longa e larga, quase sempre recta apenas com uma curva também larga.
Aqui a iluminação deixava já um pouco a desejar. Foi-me dito que a Câmara Municipal há já uns tempos largos, para poupar na factura da luz, mandou desligar, candeeiro sim candeeiro não, não me recordo se realmente as luzes iam alternando entre o aceso e o apagado.
Mas o mais estranho foi no retorno, lembram-se que a prova era nocturna ? E que eu me tinha esquecido do meu frontal ?
Finda a avenida que vinha a correr virava-se à esquerda e entrávamos numa estrada sem iluminação nenhuma.

Esta era a estrada, mas à noite não se via nada. Eu tinha os olhos pregados no chão a tentar decifrar onde o chão estava mais escuro, pois o mais escuro eram buracos.
No meio da estrada estavam pinos a dividir a estrada ao meio, e lá ao fundo havia uma pequena luz que não se percebia o que era.
Só quando cheguei a uns 5m da "luz" é que percebi que a "luz" era um membro da organização a dizer para fazer ali o retorno.
O desgraçado esteve horas ali ao frio no meio breu :| Digo frio pois não estando a correr e junto à ria não estava quente de certeza.
Feito o retorno era voltar tudo para trás até ao viaduto, aqui estava mais um posto de abastecimento de água e laranjas, seguia-se em frente por várias ruas, ruas estas que contornavam a Escola Secundária João de Deus pelas suas costas. Desde o viaduto até à Escola foram quase 3km, na grande maioria a subir.
Não eram subidas muito íngremes, mas daquelas longas rectas com um certa inclinação,para mim moem mais que uma subida bastante inclinada mas curta.
Nestas ruas voltei a encontrar muito trânsito e muito fumo de escape, foi por esta altura que já um pouco cansado da prova comecei a ser apanhado por alguns atletas.
A meio de uma das subidas havia mais um posto de abastecimento este com água, bebida energética e laranjas.
Chegado finalmente à Escola foi aproveitar dentro do possível a mega descida da Avenida 5 de Outubro.
Já perto do fim da descida em vez de irmos em frente pela baixa de Faro, virámos ainda à esquerda apontados à parte que vos falei que era bastante monótona, mas vá-lá que desta vez foi um vou ali e já venho, pois 1km e pouco depois já estávamos apontados à Rua de Santos António que é a principal rua da Baixa de Faro.
Findo isso foi curva contra curva e entravasse de novo no Jardim onde estava a meta.
Acabei a prova com o tempo de 1:29:46. Está dentro dos meus tempos mais normais, as longas subidas quebraram-me bastante.
Na zona da meta, estava um televisor na vertical onde se via os tempos dos atletas que já tinham terminado, achei piada a isso.
Depois da medalha entregue, esta feita de cortiça, tínhamos à disposição, água, bebida isotónica, laranjas cortadas em quartos e batata doce.
Tal como em Sevilha, lá fiquei a comer umas quantas laranjas :)

Não sei se esta foi a 1ª Meia Maratona de Faro, mas foi a 1ª nocturna.
Coisas que gostei :
- Algumas partes do percurso. O início, Jardim, Rua de Santo António e Avenida 5 de Outubro, Sé e mais uma ou outra rua.
- Bastante gente (dentro do que é normal) a apoiar os atletas.
- Laranjas e Batata Doce no fim.
- Preço mega barato. Custo da primeira fase : 5.

Coisas que não gostei:
- Caminhos muitas vezes mal indicados.
- Ausência de placas de km, só dei conta de uma.
- Ruas com trânsito onde se sentia muito os fumos de escape.
- As avenidas Eng. Joaquim Belchior e Aníbal Guerreiro (zonas complementamente mortas).
- Os atletas dos 10.5km não terem direito a medalha.

Faro tem público a apoiar, é tão raro que quase só por isso já é melhor que muitas.
A ver meu ver, com alguns acertos no percurso de modo a privilegiar mais o centro da cidade onde estão as pessoas será uma das melhores corridas para se fazer.

É verdade, lembram-se do Carlos Caetano ?
3º lugar no escalão :D


Próxima corrida Meia de Messines, lá vou eu voltar aos Algarves ;)