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Eu detestava correr!

Leio, sempre emocionada, os relatos de quem cruza a meta nas suas primeiras meias maratonas ou na prova rainha dos 42, 195kms. Provavelmente os quase 52 anos levam-me à lágrima "fácil".

Decidi que também eu tinha que contar a minha aventura de correr, pela primeira vez, uma meia maratona. Fi-lo em Março, na cidade onde nasci, Lisboa.

A minha história começa como a de tantos outros: eu detestava correr! Pensava "mas que raio vê esta gente em correr?" Em Setembro de 2015 fui pela primeira vez ao treino do Correr Lisboa, no Estádio Universitário, inspirada pela motivação do meu companheiro de décadas, que se tinha iniciado, havia poucos meses, nestas lides das corridas. Resultado: Ia morrendo!!! Ou respirava ou corria... ao fim de 1 km tive de optar por apenas respirar! 

Recordo-me da primeira vez que aguentei o treino sem parar. O Vasco Tavares era o guia: Ele não podia imaginar a felicidade que senti quando lhe disse: "nunca tinha corrido tanto tempo". Começou neste dia a minha ligação e grande admiração para com esta maravilhosa equipa do Correr Lisboa. Sem todo o seu suporte e dedicação seria para mim impensável ter chegado onde cheguei e ter decidido participar numa Meia Maratona. Se me tivessem dito, anos atrás, que eu iria fazer uma prova desta envergadura, diria que estavam a sonhar. Impossível. Eu?

Treinei, nas duas semanas que antecederam a prova, mais do que o habitual. Pus de lado o meu step, actividade que adoro e que pratico há vários anos. Dediquei-me de corpo e mente a este novo desafio. E tive sempre uma atitude positiva. Brincava sempre a dizer: "sinto-me forte".  

Confesso que na noite antes da prova não preguei olho. Estava bastante nervosa. 21Kms... 21Kms... mas onde é que eu me meti?

Estava bom tempo. Lá seguimos no comboio. Eu, o PJ, o David , o João, a Susana e mais uns quantos "amarelinhos". 

À saída da estação deixei de os ver. Sozinha, em cima da hora para a foto da praxe, lá consegui chegar a tempo de registar,  a cores e para o futuro, tamanha façanha.

Tinha instruções dos meus "treinadores" Paulo e Rita Ribeiro para começar devagar, a 6:30/ 6:40 e não acelerar para não me cansar. Os primeiros 10 kms foram feitos num ápice, nem dei conta, com uma enorme alegria, a cruzar-me com os Vicentes e amigos de todas as semanas. Cheguei aos 15Kms a pensar, isto até nem parece muito difícil... Ai não... os últimos 6kms pareceram eternos... "Mas onde é que é o retorno em Algés? Nunca mais acaba esta recta!" Foram os 6.000 metros mais difíceis, que me custaram tanto. Por vezes pensava "vou parar só 1 minutinho para descansar", mas as pernas não deixavam, parecia que tinham um programa que as obrigava a mexer e eu, obediente, lá continuava o meu caminho.

No último km, vejo o meu marido. Yes! 'Tá quase. A  500 metros do fim,  a minha filha Rita. Cortámos juntos a meta. Claro está, emocionei-me como não podia deixar de ser. Consegui!  

E olho para cima e vejo um enorme sorriso da Sandra. Que bom ter esta recepção! É um dia para nunca mais esquecer. Esta conquista já ninguém me tira!

Uma palavra de enorme gratidão para com toda a extraordinária equipa do Correr Lisboa. É porque ser Vicente não é só correr. É também camaradagem, convívio e acima de tudo, muita alegria. 


Morada

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