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Demasiado pálido... para ser Queniano #43 - 37ª Maratona de Valência Trinidad Alfonso (2ª parte)

Olá de novo ;)

Na 1ª parte fiquei no prémio para as claques.

Ora o prémio era de Qui... nhen... tas... mocas.

Como se não bastasse já lá haver montes de gente, ainda incentivam com prémios destes.

Outras realidades.


(Parece que estou com os braços meio atados :D )


Ao passar pela marca da Meia Maratona esperava algo de especial, mas apenas havia o tapete para controlar o chip do dorsal.

Os checkpoints estavam de 5 em 5km e muitos deles tinham cameras a filmar. Aqui em Valência não reparei nelas.

Em Sevilha eram bem visíveis e lá acenei a todas as cameras aqui nem uma :(

Dias depois, cada corredor poderia pedir o seu vídeo da prova com essas imagens.

Algures por esta altura reparei numa corredora francófona que tinha escrito nas costas...

"La solitude du coureur de longue distance"

O que me fez lembrar duas coisas :

1) É uma música dos Iron Maiden do seu álbum de 1986 "Somewhere in Time", baseada na história de Alan Sillitoe aqui "cantada" em parte pela Paula Radcliff.

2) Que é uma grande verdade. Eu corri 5x por semana, tirando a 3ª feira do Correr Lisboa que não considero um treino pois todas as semanas vou a um ritmo diferente, os meus 4 treinos por semana a esmagadora maioria das vezes corri sozinho.


Não me estou a queixar :) mas apenas a constatar.

É muito tempo passado a treinar para uma única prova.

Mas por acaso foi precisamente no km30 que fiz o meu melhor km com o parcial de 4:07.

Por esta altura ia com 2h12:39s de prova. Em Sevilha tinha passado aos 30km com 2h09m53s.

Mas lá devido então a uma má gestão de prova já vinha a decair desde os 26km.

A grande diferença agora é que geri a prova tal e qual como queria e tive um treino de preparação muito melhor.

É claro que sentia um pouco as pernas mas nada de preocupante, pouco antes ao passar por uma coluna a tocar "Highway to Hell" dos AC/DC estava com os braços a tocar bateria e a cantar. :D :D Ia feliz.

Ia olhando o relógio controlando a velocidade e sentia que o meu 2º objectivo (3h15m) era possível.

A ver se teria força até ao final...


No km 33 +/- senti a tal impressão que em algumas maratonas tenho sentido, uma sensação de possível câimbra na parte de trás das pernas quase junto ao rabo.

Não sei se seriam câimbras, nunca cheguei ao ponto de testar se eram ou não... isto porque eu tinha o antídoto ! :D 

Comigo levava a minha mistura anti-câimbras... Vinagre+Sal+Água num frasquinho.

Nem foi tarde nem cedo, foi logo ali, meti o líquido à boca, bochechei durante um minuto e mandei fora.

E como esperado passado pouco tempo a sensação passou :)

O km 37 foi o primeiro em que baixei dos 4:30 com o parcial de 4:31 (Se esquecermos do stress no 1º abastecimento em que nesse km fiz 4:36) nesta altura estava a começar a sentir as primeiras dificuldades.

Não era o muro, mas o à vontade que ia tinha desaparecido e comecei a lutar por manter o ritmo.

km 38 - 4:33

km 39 - 4:30

Estava a ficar difícil aguentar os 4:28 programados, e neste momento entra o meu modo "Deixa lá estar isso...".

Como já disse aqui algumas vezes, eu não sou muito forte mentalmente e este era o ponto em que ou ganha o cérebro ou ganham as pernas.

Ganharam as pernas e desacelerei... não propositadamente mas naturalmente. Pelas contas que fiz por alto o recorde era garantido, e as 3h15m achava que também, por isso lá fui indo como o corpo deixava.

km 40 - 4:43

km 41 - 4:47

km 42 - 4:52

A quebra agora já era notória, mas estava super feliz pois já via a Cidade das Artes e Ciências lá ao fundo.

Por esta altura já era ultrapassado por muita gente mas já só pensava "Consegui ! Consegui ! ".

E apesar da quebra final, senti que todo o tempo dedicado aquele dia tinha valido a pena, e a medalha já estava ali à frente a piscar-me o olho.

A 500m da meta, fazemos uma pequena descida e entramos na zona limitada pelas vedações onde muuuuuuuuuuuuuuuita gente estava a apoiar.

Um pouco mais à frente oiço uma rapariga a dizer "Força Correr Lisboa !"


Última curva à esquerda e vejo o tapete azul e lá ao fundo a meta.

Uma recta longa mas linda... recta esta montada por cima do espelho um água com uma bancada cheia de gente a vibrar.

Foram 7 meses à espera daquela recta :)

Ao ver o relógio da meta vi que dizia 3h16m, e lembrei-me que saí com 6m de atraso em relação à partida.

Tu queres ver que fiz 3h10m ?????

Cortei a meta, parei o relógio e mandei um berro de alegria :)

3h10m26s !

Nem acreditava que tinha sido possível, foi muito melhor do que esperava.

As 3h10m era aquele tempo que sonhava um dia talvez conseguir e só um mês depois percebi que tinha agora mínimos para Boston.

Essa será outra aventura que com muita sorte um dia consiga fazer... No dia que percebi é que me caiu mesmo a ficha do tempo que tinha feito em Valência

Em seguida recebo de um dos voluntários uma caixa dourada. Pensei que era a medalha embrulhada, achei estranho, agradeci e lá segui.

Ao abrir a caixa vi que era aqueles plásticos para tapar o corpo do vento e nos manter quentes. O dourado era a cor do plástico devido a prova ter agora o "Selo Gold da I.A.A.F.".

Pouco depois então recebi a medalha e lá fui buscar o saquinho com água e fruta.

Tínhamos combinado um ponto de encontro à medida que íamos chegando e lá fui ter.

Foi muito bom ver lá já alguma malta e estarmos juntos de novo depois desta aventura.

Ficámos ali à conversa a alongar, beber e comer enquanto esperámos por quem ia chegando.

No fim tirámos mais uma foto.


Apesar de uma ou outra coisa que não gostei tanto comparativamente a Sevilha, aconselho vivamente a fazerem esta prova.

Apesar da quebra no fim, fiquei com a ideia que ainda é possível fazer um pouco melhor, vamos ver se sim.

A próxima destas será a 11 de Março em Barcelona e já ando a treinar para esse objectivo, as Sub 3h10m como 1º objectivo, e as 3h05m como sonho.

Amo esta distância e nos intervalos vou namorando com as Meias ;)


Abraços e beijos e até à próxima, que será ainda em Dezembro, a Extreme Gerês Marathon, mas para fazer a meia ;)

Morada

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