O dia 14 chegou mais depressa do que estava à espera. Foram 7 meses de trabalho e tudo se iria resumir a 21097 metros e 3 horas para acabar a prova.

Entre estar 3 meses parada por várias lesões no pé esquerdo, só apenas em meados de Setembro consegui voltar a correr e sempre treinos condicionados. Com 4 treinos de 5 km, 2 provas de 10 km e uma de 8km, foi o que consegui correr antes do dia M. Estava longe de estar perto da performance que tinha em Junho.

O dia chegou, os nervos eram tantos que tinha as mãos a tremer, juntei-me com aqueles que me iam acompanhar: Anabela, Luís, Polliana, Elisabete e Inês. Haviam-me prometido que me ajudavam a fazer a meia maratona nem me tivessem que levar ao colo. O percurso tinha sido alterado por causa do furacão Leslie, já não iríamos partir da ponte Vasco da Gama, mas sim algures do IC2. Aquele compasso de espera até que fosse dada a partida só serviu para aumentar os nervos... durante esse tempo toda eu só pensava "Oh Meu Deus como raio é que eu vou conseguir fazer isto?", "Será que vou conseguir aguentar as dores?". Afinal de contas desde as 5 da manhã que estava acordada com estes pensamentos.

E chegou a altura de começar a correr. Era agora, já não havia volta a dar. 

Começamos a correr e cerca do 4km preciso de ir fazer xixi. Isto é daquilo que ninguém fala o lado nada glamouroso da corrida. Uma pessoa tem que parar e esconder-se atrás de umas canas para tentar ter o mínimo de privacidade, não tivesse eu 5 pessoas à minha espera para continuarmos a prova. Foi uma aventura. Voltámos à corrida e nunca mas nunca 5 km me custaram tanto, a ponte Vasco da Gama lá continuava ao fundo parecia que nunca mais a alcançávamos.

Quando dei conta já estávamos no Parque das Nações e quase no 7km a Rute que entretanto também se tinha juntado a nós, teve que fazer o desvio para a Mini Maratona (a prova dela), não sem antes me fazer prometer que caso sentisse dores na lesão, desistia. Esta parte custou ver tanta gente a fazer o desvio, e nós a continuarmos.

Ao 10km vi a Célia e a Sónia, quando me apercebi que eram elas chorei. Foi tão importante ter o apoio delas ali. Nem queria acreditar. Fomos encontrando outros vicentes pelo caminho e o meu "muro", um dos maiores medos estava a aproximar-se o 12km. Esta tinha sido a distância mais longa que tinha feito na vida a correr e das duas vezes que fiz esta distância fiquei parada durante algum tempo com lesões. 

A sorte de ir com os meus 5 protetores, foi que nem dei pelos quilómetros passar, rimos, até fizemos diretos para o facebook, cantámos, houve uma banda que tocou Maria dos Xutos&Pontapés especialmente para nós.

Cerca do 14km comecei a sentir as malditas caimbras a "morderem" os gémeos. Corri logo para meter spray nas pernas e no pé. A lesão tinha começado a dar sinais, nada de alarmante ainda, mas ainda estava longe do fim. De Xabregas a Santa Apolónia, o percurso foi um pouco chato, meio cinzento e com poucas pessoas a apoiar. Tudo mudou quando chegamos ao Terreiro do Paço e estava uma equipa de Vicentes a dar-nos força. Foi inacreditável a força que nos deram. Uns metros mais à frente vi a minha mãe e a Rita. Tinham feita a Mini Maratona e atravessaram meia Lisboa para estarem ali. Os meus 5 guerreiros prometeram-me que ia conseguir fazer a meia. Tinha cerca de 40 minutos para fazer 4km, mas ainda faltava subir a Avenida da Liberdade e desce-la.

Naquele momento já nem via nem ouvia ninguém, o objectivo estava perto e contra todas as estatísticas, contra todo o bom senso, contra todas as expectativas eu ia conseguir!

Ao fim de 2h48m52s, cortámos a meta de mãos dadas. 


Obrigada Anabela, o Luís, a Polliana, a Beta e a Inês foi uma mega aventura, adorei cada quilómetro é que com tanta boa disposição nem custou.


Foi uma loucura de emoções, 7 meses de muitos altos e muitos baixos. Ainda me lembro de quando soube que tinha que parar e ir fazer fisioterapia. Aquilo que me custou, a frustração que foi. Já lá vão 45 sessões e ainda estou longe da recuperação total.

Às minhas babes Maria, Núria, Inês e Sandra, hey nós conseguimos aquela meta foi nossa. Não poderia ter escolhido "irmãs" melhores para esta aventura.


Obrigada  à Adidas, à Helena por ter apoiado este projecto e ao Correr Lisboa por tornarem tudo isto possível.

Obrigada a todos que acompanharam esta aventura, que estiveram sempre lá nem que seja por formas que as tecnologias permitem.

Independentemente do tempo que fiz, bem longe daquilo que gostava de ter feito, sei que me superei, fiz novas amizades, ri-me, fui feliz e fiz o que nunca achei ser possível. É com orgulho que vou dizer sempre sim sou uma Mulher Inspiracional!