E... #táfeitotápago! 

A aventura chegou ao fim. E não, não foi fácil. 

Sabia desde o dia em que aceitei entrar neste projecto que ia ser mais difícil para mim do que para qualquer outra das meninas. Elas gostam de correr, já todas treinavam habitualmente, fazem tudo a sorrir e de ânimo leve...mas eu? Eu não gosto de correr! Nunca gostei. E mesmo assim aceitei e fui à luta.

Lembro-me do primeiro dia em que fui treinar que nem 300 metros consegui correr seguidos!!! As lágrimas de frustração escorreram-me pela cara a baixo. Como raio ia eu aguentar 21km?!?! Mas fui teimosa e continuei a tentar. Fui treinando, devagar, tentando superar-me a cada treino e tentando não me comparar com ninguém nem colocando expectativas demasiado altas para mim. 

O meu objectivo era terminar os 21km sem falecer e ter forças para sorrir ao chegar à meta! 

E consegui! Não morri e cruzei a meta a sorrir! Uhh Uhhhh!!!


Em 7 meses fui dos 0 aos 21kms. Com zero experiência, com zero vontade, com zero aptidão física, ... mas fui! E fiz!

Se fiz um tempo incrível? Não, filhinhos, longe disso. Posso até dizer que fiquei lixada comigo mesma porque em todos os treinos longos que fiz, fiz sempre um ritmo médio melhor do que fiz na prova. Mas... "shit happens"! 

O dia da prova foi um misto de medo, dor, desespero, cansaço, frustração, gratidão e alivio. 

O melhor de tudo? A memória que vou guardar para sempre das pessoas que estavam ao longo do caminho, e no final, para me apoiarem! Isso, nunca vou esquecer. Agora os tempos, as dores, e as coisas más... já nem me lembro disso! 

 

Há no entanto algumas pessoas que merecem destaque nesta minha aventura. 

O Bruno, que está comigo "para o bem e para o mal, na saúde e na doença" e que meteu na cabeça de todos que eu era capaz de correr uma Meia Maratona. Na verdade não sei se lhe agradeça ou se lhe bata pela triste ideia. Mas agradeço pela paciência e por ter estado sempre ao meu lado. 


À Helena, que tal como o Bruno achou que isto era boa ideia, que me nomeou Capitã do projecto adidas Mulheres Inspiracionais, que acreditou que eu ia conseguir desde o primeiro dia até ao momento em que me colocou a medalha da Meia Maratona ao peito. 


Às minhas babes (Núria, Mia, Joana e Inês), pela força, pelo carinho, pelo apoio e pelas horas de conversas disparatadas e gargalhadas que me faziam esquecer as dificuldades que fui encontrando pelo caminho.


Ao Ernesto e à Marta do GFD por me terem ajudado a pôr as peças no sítio, a aliviar-me as dores e a tratar-me lesões que eu nem sabia que tinha.

À Vanda, que foi sempre a minha voz da razão, que me dava conselhos, que me ia afastando as duvidas, que ouviu os meus mimimis diariamente e que no dia da prova estava lá para me dar a força que eu precisava nos últimos metros.


E a todos os Vicentes que ao longo destes meses, e no dia da prova, estiveram a torcer genuinamente para que eu conseguisse, que me aplaudiram e gritaram o meu nome, dando-me boost para não parar.


Levo desta experiência uma lição de superação, de persistência e de humildade. 

Se antes já admirava quem se propunha de livre vontade a treinar meses a fio para correr uma Maratona ou uma Meia Maratona, agora que passei pelo mesmo, gabo-lhes a força de vontade, a determinação e o espírito de sacrifício. Só quem passa por isto é que sabe o que custa.

E espero que o meu caso sirva de exemplo. 

O facto de não gostar de fazer uma coisa, não significa que não a consiga fazer! A diferença está no querer fazê-la ou não. E quando se quer fazer uma coisa, faz-se!